Todos os posts de Carol

É hora de Partir

Chegamos ao fim dessa jornada, daqui duas semanas estou voltando para o Brasil. Um ser humano pensante é incapaz de viver sem perspectiva, isso é fato. Isso é o que nos difere dos demais animais, e isso que nos fez quem somos hoje.

Estar a dois oceanos de distância dos que amamos, sem sonhos, objetivos ou perspectiva, é morrer filosoficamente, tornar-se somente uma engrenagem de uma máquina a qual não nos reconhece como parte.

A decisão foi consensual e sobretudo racional. Esforços, sacrifícios… “Abrir mão”, fizemos tudo, mas sem propósito, o esforço e o sacrifício é apenas flagelo.

A verdade, ou as verdades incomodam, doem e perturbam, muitos dos nossos amigos humanos simplesmente a ignoram, ou desprezam os que falam dela. Mas viver na verdade, sem subterfúgios ou maquiagens para mim, sempre foi meu norte. Viver dois anos e meio aqui em Bangalore me fez entrar em um loop de aparências e ilusões, preciso recuperar minha vida.

Peço desculpas ao bons amigos que fiz aqui, pois não pude oferecê-los meus melhores momentos.

Carol

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“Eu tenho um amigo indiano…”

Lendo o comentário feito pela Potira, percebi que deveria escrever sobre isto. Ok muitos irão criticar ou polemizar ainda mais, mas acredito que devo compartilhar as experiências aqui obtidas, lógico, o viés vai existir, não é um relato científico.

Muitos dirão: “Ah, mas na Europa também existe!” Eu não moro lá, vou falar do que sei, do que vi.
Decepções acontecem, mas decepcionar-se sem dinheiro, em um país totalmente diferente e sem compreender os idiomas/dialetos locais… Sério, ninguém merece.

Venha:

  • Falo Inglês fluente e compreendo o idioma mesmo com forte sotaque;
  • Eu ou minha família têm recursos financeiros para me bancar na Índia sem problemas;
  • Sempre quis conhecer uma cultura diferente, serão 3 semanas de pura aventura, (não concordo, mas eu sou eu…);
  • Trabalhar/estudar fora do país será muito legal, vou para lá fazer algumas entrevistas, conhecer o lindão e se tudo der certo eu volto;

Não venha:

  • O google translator vai ser o padrinho do meu casamento;
  • Nem vou comprar a passagem de volta, é muito caro e nem será preciso, porque nós nos amamos!;
  • Eu tenho o estômago fraco, minha alegria é ter um banheiro limpo para usar;
  • Eu não sei a utilidade do Passaporte, nem qual a moeda da Índia… Aliás nunca viajei fora do meu estado;

Apaixonar-se por um indiano… A relação normalmente começa pela internet, todos sabem que na internet todo mundo aumenta, maquia e esconde – Fato. Logo, não acredite em tudo.

  • Todos os indianos são ricos – Só na novela, se ele falar que é rico, ou dar a entender que é, é mentira.
  • “Eu não tenho cam, mas eu quero muito ver você” – Provavelmente seu amigo está com mais quatro amigos querendo muito ver você.
  • “Ah mostra esse corpinho ai vai…” – Essa dica vale para qualquer mulher de qualquer país, não se mostre, ou pelo menos, espere ele se mostrar antes… Quem garante que o Don Juan não está gravando para mostrar para os amigos?!
  • “Eu sou o mestre do amor, o Kama Sutra foi feito aqui, sabia?” – De acordo com relatos, as pessoas aqui começam a vida “de adulto” após a Universidade, muitas vezes, só após o casamento.
  • “Venha para Índia, vamos nos casar!” – Pouco provável, a maioria dos casamentos ainda são arranjados. Por mais que seu amigo ame você, casamento aqui é um negócio de família, poucos vão contra isso.

Ps.: Muitos dos indianos que tem relacionamentos virtuais já são casados, infelizes, mas não vão pedir divórcio.

  • “Eu sou brasileira, não falo inglês, mas os programas de tradução falam por mim” – três opções a você:
    • Aprenda inglês e abra seu coração para o amor internacional;
    • Limite-se ao relacionamento virtual, não venha para cá sem falar pelo menos Inglês;
    • Encontre um amor que você possa conversar sem um computador do lado.
  • “Eu não posso ir para o Brasil, venha para Índia, fique na casa da minha família” – 99% de chance de ser uma mentira deslavada, um indiano dificilmente trará uma amiga estrangeira para ficar sob o mesmo teto que a mãe dele.
  • “Eu não moro com meus pais, mas você não pode ficar na minha casa” – Os indianos jovens, quando trabalham ou estudam longe da família normalmente moram em pensões – nunca vi pensão mista. A maioria dos indianos continua morando em casa até após se casar.
  • “Eu não posso ir para o Brasil, aqui na Índia você arruma um emprego fácil fácil” – Parte verdade, aqui as empresas precisam de pessoas que falam português para trabalhar com tradução nos mais variados campos. Aqui está o truque: se você vier com visto de turista e arrumar emprego você PRECISARÁ VOLTAR AO BRASIL para solicitar o visto de trabalho, não tem como mudar categoria de visto na Índia, por mais que seu amigo diga que não exista problema trabalhar com o visto errado, se pegarem você ilegal, você será extraditada para o Brasil, não sem antes passar por uma bela humilhação. Ah esqueça pedir outro visto, será negado.
  • “Venha para Índia, eu cuido de você aqui” – Sério?
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Não, não quero um cozinheiro, só preciso de um motorista!

Quanto mais miserável é um país, maior é a disparidade entre ricos e pobres. A classe média, quase inexistente, fica na corda bamba, tentando manter a dignidade sem os acessos de excentricidade dos realmente abastados. Bem, esse é o nosso caso, após um ano pulando de táxis, brigando em praça pública com motoristas de rickshaws, vimos que era inevitável – comprar um carro e CONTRATAR UM MOTORISTA.
Em minha vida modesta nunca imaginei ter alguém para dirigir para mim, talvez em um sonho, em que eu fosse uma Rainha ou a Madonna, mas nunca assim. Não é luxo, é necessidade.
Nessa nova cruzada decidi ingressar no Overseas Women’s Club, outro clube de expatriados aqui em Bangalore, com o foco ajudar as novas esposas chegando aqui e também com o aspecto social, angariando fundos para entidades beneficentes da cidade.
Este clube realmente é uma grande ajuda, com publicações mensais e livros-guia e o mais importante (para mim) – o banco de dados de profissionais domésticos.
Por curiosidade, fui à reunião de novos membros em um café da manhã em um dos melhores restaurantes da cidade. A reunião tinha oito mulheres dentre 28 a 48 anos, foi interessante. Representantes do Japão, França, US, Inglaterra… E eu orgulhosamente – America Latina, elas queriam saber de onde meus pais eram, pois uma pessoa como eu não poderia ser brasileira – Sendo elogio ou ofensa, não gostei.
O assunto mudou rápido, a cidade para muitas delas já estava descoberta e suas respectivas crianças já estavam matriculadas na escola mais cara da cidade (US$ 100 mil por ano, pagos pela empresa onde os seus maridos trabalham). O tema que restava era “serviçais do lar”, cada mulher daquela tinha em média 5 empregados, dentre motoristas, babás, governantas e cozinheiros.
Nenhuma delas me pareceu ter nascido em “berço de ouro”, filhas de magnatas ou remanescentes de uma família real. Mas aparentemente todas elas queriam manejar seu corpo de serviçais de maneira mais eficiente, pois normalmente o domingo (dia de folga) era um grande problema – Quem serviria um chá a elas?
Honestamente não acredito que nenhuma delas vivia dessa maneira em seus respectivos países.
Não é inveja, rancor ou despeito, mas eu não entendi o que elas fazem da vida. Casa quem cuida é a governanta, filho quem cria é a babá, comida quem faz é o cozinheiro. Bem se espera que uma mulher dessas tenha uma vida profissional? Não, elas não trabalham fora. Espera-se que sejam lindas e tenham um corpo esculpido por horas na mesa cirúrgica e na academia? Não, elas estavam bem caidinhas… Ah sim elas estudam ou fazem trabalho voluntário? NÃO, elas passam o dia gerenciando seus empregados, com problemas que provavelmente são criados para elas não se tornarem totalmente obsoletas.
Surreal.

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Mais um desafio!

Olá amigos!

“A vida é feita de desafios”, me disseram isso quando viemos para a Índia. É a mais pura verdade. Um de cada vez, enfrentamos dia após dia, e nessa semana algo de grande proporção aconteceu, saí pela primeira vez sem o Chico. Sai com minha amiga Giliane, esposa do nosso querido Benhur, que trabalha com o Chico.
Em uma pacata manhã Giliane me liga me convidando para fazer umas compras para casa com ela na região da Commercial Street, um dos lugares mais atordoados e barulhentos da cidade, assemelha-se a Rua 25 de Março em São Paulo. Mas sem pestanejar eu disse… Vamos!
Ela chegou aqui em casa e logo saímos, parecia que tinha esquecido algo em casa… Como uma peça de roupa, documentos ou dinheiro, era o Chico que “me faltava”, mas mesmo assim fui. Pegamos o Auto-Rickshaw, viramos do avesso aquela rua, depois fomos para um shopping e para uma grande loja de artigos domésticos. Compramos algumas coisas, rimos, conversamos. Definitivamente, foi algo memorável para mim.
Pode até parecer bobo, infantil, mas isso foi um momento de liberdade com risco controlado, spray de pimenta no bolso, cara de brava, mas mesmo assim senti grande felicidade e satisfação pelo feito.
Quando o Chico chegou em casa, não se cabia em tanta alegria e orgulho, queria saber cada detalhe da minha aventura com Giliane, pois apesar de não falarmos muito a respeito, ambos sabemos que ficar em casa sempre e depender de uma pessoa para tudo, não faz bem.
Mais um desafio transposto!
Queria deixar registrado aqui meu agradecimento a Giliane, que apesar das adversidades, sempre tem um lindo sorriso e uma piadinha para aliviar a tensão. Sempre que quiser ir passear, é só me chamar, viu?!

Abraços a todos!

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Kit Frio!

Olá!
Na minha preparação para o passeio em Paris, vi que existem informações sobre “como se preparar para o Inverno Europeu”. Mas, ou são muito vagas ou incompletas. Primeiro não se iluda com o “frio ameno de Paris”, isso é uma comparação com outros países super gelados daquele continente, portanto, vá preparada.

Um bom par de botas: com solado de borracha, impermeável e cano longo, se você for comprar, procure algum modelo básico, que combine com os seus jeans e que não pareça que você seja uma garçonete de uma estação de esqui. Escolha um modelo confortável, os com forro de lã são muito bons.

Meias de lã natural: não, não são aquelas meias que a sua avó fazia para você dormir quando pequeno! Hoje existem modelos nacionais e importados para vender no Brasil, normalmente se encontram em lojas de turismo de aventura. Essa meia é boa, pois mesmo se o seu pé suar, a meia “respira”, evitando que o pé fique molhado. Evite repetir o par de um dia para outro, logo, faça o cálculo de quantas irá precisar, considerando se você vai lavar roupa ou não. Usei também um par de algodão grosso (daquelas que se usa em academia) e deu tudo certo.

Segunda pele: Sem o risco de puxar fio como a meia-calça. existe uma alta tecnologia na produção dessa roupa, tem a blusa de manga comprida e a calça. O forro é macio como o fleece, e a parte externa se assemelha ao dry-fit, leve, rápido para secar e o mais importante, não se perde mobilidade vestindo essas peças. Existem várias marcas, mas a brasileira “Solo” é uma das mais baratas, no site deles existem uma infinidade de lojas que vendem seus produtos, inclusive on line.

Cachecol: peca importante do vestuário, sendo o mais barato de todos os itens dessa lista procure variar, Existem vários tipos e tecidos, o de lã uruguaia, facilmente encontrado no sul do Brasil está de bom tamanho. Usei também um feito em tear, mas como o ponto dele e mais grosso, certifique-se que a lã seja mais espessa e tenha bastante volume. Também pode-se comprar um neck tube, e encontrado em lojas de turismo de aventura, na tradução ao pé da letra e um tubo para o pescoço, de forma cilíndrica você passa o apetrecho pela cabeça e encaixa no pescoço, não é tão glamoroso, mas é barato e protege bem do frio.

Luvas: item que eu não aprecio, mas foi necessário. No Brasil uma luva adequada que se encontra em lojas de aventura não sai por menos de R$ 75,00, se você for valente pode esperar para comprar em algum supermercado ou C&A por uns $ 12,00 Euros. Existem modelos e tamanhos, então na hora de comprar veja em qual você se adapta maior. Ah, não compre luvas de esqui, as luvas para cidade são mais finas e em cores mais discretas.

Gorro: não importa se você tem cabelão ou não, você precisa proteger o cucuruco do frio. Claro que pode-se usar o capuz do casaco, mas para evitar que todos vejam o quão descabelada está, use um belo gorrinho / boina, existem várias formas, modelos e preços, eu usei um de couro, forrado com pêlo de ovelha (que eu comprei há anos no ARS em Floripa, a loja ainda existe) e outro de fleece, que pode ser usado como neck tube, mas se tiver uma cordinha com trava, fecha-se uma das pontas, usa-se também como gorro. Evite usar aquele fino de lã, pois pouco vai adiantar.

Casaco: e a peca mais cara do “kit Inverno”, prepare-se para fazer um investimento, pela minha pesquisa, não sai por menos de R$ 700,00, Além de precisar ser impermeável, procure por modelos que cubram o traseiro (pois frio lá ninguém merece, jaquetinha da moda que mostra o lombo, nem pensar), com algum forro, seja de fibra ou de lã, compramos um com forro de pluma e é muito leve e quentinho. Algumas outras coisas que são aconselháveis, capuz com a ponta de pluma (isso barra o vento e a neve de ir aos seus olhos), a manga externa pode ser aberta, mas procure dentro dela uma manga fechada, do tipo canelada no punho (isso evita a entrada de vento pelos braços). A má notícia é que pouco encontrei disso no Brasil, mas para a salvação, encontrei duas lojas, uma delas vende on line. Como eu tive a sorte de pegar as liquidações, levei um casaco preto de inverno emprestado e lá comprei um para mim. Caso você for aos USA não se preocupe, lá você encontrará casacos baratos e ótimos, mas na Zona Euro, procure pela C&A ou outros magazines mais populares, será caro, mas ainda existe a possibilidade de ser mais barato do que comprar no Brasil.

Blusas de lã: Considerando que você está usando a segunda pele e um bom casaco de frio, a blusa de lã não precisa ser um grande investimento. Usei uma fina de lã pura que peguei emprestada, funcionou perfeitamente, nos outros dias usei aquelas fuleironas de lã acrílica, mas coloquei uma camiseta manga comprida entre ela e a segunda pele e resolveu. Podem-se comprar também os casacos de fleece, com zíper ou não, vendidos em lojas de turismo para aventura.

Calças: com a segunda pele e a bota cano longo, use as calças que você usa no inverno de sua cidade, Jeans está mais que o suficiente! Não se assuste se você encontrar as meninas de saia sem meia, o courinho delas já está mais preparado que o nosso. Por motivos de mobilidade e conforto, não usei saia / vestido.

A menos que você seja muito rica ou viva em um país gelado, você vai ficar 100% de acordo. Em Paris ou em outras cidades fashion é difícil estar na moda inverno, alias como eles já são mais acostumados com o frio, não precisam de tantos apetrechos.
Mas mais importante é aproveitar o passeio, quem se importa se você conseguiu um casaco emprestado amarelo mostarda com um forro verde abacate!!!! É bem melhor ir com ele e poder conhecer os lugares do que ir com uma charmosa jaqueta jeans da Ellus – que eles nem conhecem, e não conseguir sair do hotel.
Mas por favor, estamos falando de invernos europeus amenos com mínimas de -10o C, não tente ir para a Rússia ou Letônia vestida assim!!!

Links Úteis:

http://www.solobr.com/ – marca da segunda pele – no site tem os links dos vendedores autorizados.

http://www.benevento.com.br/ – loja que vende artigos de inverno para a cidade, preços razoáveis e roupas eficazes. Vende on line

http://www.lojadeinverno.com.br/ – loja que vende artigos de inverno para a cidade, não vende on line, lojas no Rio de Janeiro.

http://www.canyonadventure.com.br/ – loja de turismo de aventura vende on line.

http://www.capitaomalagueta.com.br/ – outra loja de Turismo de aventura vende on line e tem no shopping Beiramar em Floripa.

http://www.centauro.com.br/ – Loja esportiva que vende on line e possui alguns itens de interesse.

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Balanço Geral do Exercício

Caros Amigos

Antes de qualquer coisa, deixo aqui meu pesar e meus sentimentos as vítimas da tragédia que ocorre no estado de Santa Catarina. É hora de ajudar, seja com mantimentos, dinheiro ou orações. É um momento de ter calma e sobretudo, fé.
Também deixo meus sentimentos as vítimas do terror aqui na Índia, em Mumbai. Na noite de ontem houve uma “guerrilha” no centro dessa cidade.Um centro religioso e dois hotéis de luxo estão em posse dos terroristas com reféns de várias nacionalidades, mas aparentemente os terroristas estavam procurando turistas Ingleses e Norte Americanos. Ainda não se sabe se existem brasileiros reféns. Na cidade em que vivemos, Bangalore, está em estado de alerta.
É impossível entender como se mata e destrói em nome de Deus, isso é incompreensível.

Voltando a programação normal, estamos retornando para o Brasil neste sábado. Muitas coisas trouxemos na bagagem, a pouca ingenuidade que ainda tínhamos não existe mais. Aprendemos muito, na maioria das vezes da forma mais difícil, pois aprender pela experiência alheia é uma coisa, aprender por experiência própria, sentindo na carne ou no espírito sempre dói mais, mas é inesquecível.
Descobri que a espiritualidade aqui “é por seção”, ou seja, se você quiser fazer uma massagem, um tratamento ou mesmo a ir a um templo, sempre terá que deixar um troco, nada é de graça nesse mundo e isso inclui a Índia. Acho certo cobrar, mas não sejam piegas, dizendo que o valor monetário não tem tanta força por aqui.
Certo tempo da minha vida, fiz uma avaliação de potencial, nela dizia praticamente que eu não tinha coração, que minha vida é embasada em objetivos (acredito que se eu fosse homem, seria chamado se assertivo, mas deixa quieto). Quem me conhece sabe que não sou o poço de sentimentos, mas para viver aqui, realmente você não pode ser muito “apegado a raça humana”. É muita desgraça, muita pobreza, muita criança largada, muito bicho largado. Tornamos-nos mais duros.
Mas o engraçado é a esperança, essa nunca se acaba, talvez seja uma maneira de viver melhor, seja aqui ou no Brasil. “Ah daqui um ano, isso vai mudar, a cidade está melhorando”. E de fato está, relatos de pessoas que vivem aqui mais tempo, dizem que um, dois anos atrás não existia mercados grandes, a aceitação de estrangeiros era mais difícil, até o aeroporto era outro, pequeno e depredado. As coisas estão mudando e para melhor.
Infelizmente ainda não tive forças para sair sozinha na rua. Toda semana aparece no jornal uma estrangeira sendo estuprada na cidade, isso é terrível, o direito de ir e vir ceifado dessa maneira, a dependência total que tenho com o Chico, me preocupa. Por sorte, ele é uma pessoa sensata, lê o mesmo jornal que eu e entende que ir comprar refri e voltar com um trauma para toda vida, não compensa.
Temos saudades, dos nossos amigos, dos nossos familiares e do Angeloni… Damos mais valor a todos eles, e como eles são essenciais em nossas vidas.
Hoje nossa vida está na rotina, talvez por isso não tenhamos mais tanto assunto para comentar por aqui. Conseguimos transpor algumas dificuldades, se adaptar diante da diferença descomunal que existe entre Bangalore e Jaraguá do Sul. Como exemplo: Hoje, quinta feira, vamos reservar o táxi para nos levar sábado ao aeroporto, amanhã, o chico levará um mapa de nossa casa à empresa de táxi, para minimizar as chances do motorista se perder. As coisas aqui precisam ser mais pensadas, calculadas e planejadas, pois por várias razões, a probabilidade de algo não dar certo ou não dar no prazo é altíssima.
Apesar dessas coisas, o saldo é positivo, estamos mais maduros (um pouco mais velhos), temos nosso apartamento direitinho, profissionalmente o chico está super feliz com o que está desenvolvendo por aqui e estamos mais unidos – pois em situações de estresse o nó fica mais apertado ou a corda se rompe. Conhecemos mais, aprendemos mais e graças a Deus, a vocês e a nós, estamos felizes!

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Feliz Aniversário Chico!!!

Boa tarde a todos os bons amigos que nos acompanham!

Hoje é um dia muito especial, é o aniversário do meu companheiro de vida – O Chico. Que de tantos nomes,  apelidos e atitudes se tornou uma figura presente e ativa em nossas vidas.

Ele segurou na minha mão quando precisei, escutou tudo o que tinha para dizer, soube do meu passado, presencia meu presente e ainda assim quer estar no meu futuro.

Queria deixar aqui minha homenagem a este homem admirável que me escolheu para sua vida. Aqui, no Brasil, ou em “jaraguá”, estarei contigo Chico, te amo.

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Obrigada!

Caros Amigos!!

Muito obrigada pelos votos de felicidades e boas energias! Parabéns gaúcho, mané ou hindi, todos são lindos e me emocionaram muito. Orkut, e-mail, site ou até mesmo aqueles 10 segundos “ah é aniversário da Carol”…Todos são válidos e valiosos!!!!

Bjão para todos!!!!!!!!

 

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“Ir indo”

Caros Amigos, pela primeira vez me senti confiante o bastante para escrever aqui. Há dois meses e meio nossas vidas, (do Chico e minha) ficaram de ponta cabeça. Agradeço a todos que nos ajudaram, consolaram (mesmo achando que não estavam) e principalmente foram pacientes conosco. Meus medos estão ficando mais tímidos dada a necessidade de “ir indo”.

Sim, é um desafio, mas estamos felizes e mais confiantes do que nunca. Agradeço a todos por lerem e nos acompanharem nessa jornada, espero (o quanto antes) postar em minha casa.

Alessandra, li seu recado,  não sabemos tudo ainda sobre Bangalore, mas ficarei muito feliz em poder passar o que já aprendi, quando chegares, podemos marcar um almoço, pois é muito muito importante ter boas pessoas por perto (nossos celurares estão em algum post feito pelo Chico), não se acanhe em ligar. Alessandra 1º aviso, não tenha pena em não levar todas as suas roupas, aqui é muito muito barato, e não estou falando em roupas etnicas.

Abraços a todos!

Carol

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